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Quais os tipos de tratamento de efluentes gasosos? Descubra!

outubro 30, 2018
Quais os tipos de tratamento de efluentes gasosos? Descubra
Tempo de leitura 8 min

Toda indústria produtiva deve ter como prioridade o desenvolvimento de processos mais limpos, eficientes e de menor custo. A área ambiental de uma empresa do setor industrial deve ser bem trabalhada, pois, independentemente das legislações vigentes, faz parte da sustentabilidade e o consumidor deve vê-la como um diferencial no mercado.

Um dos principais problemas ambientais que as indústrias de produção são responsáveis é a poluição atmosférica causada por processos de queima de combustíveis. Dessa forma, conhecer os tipos de tratamento de efluentes gasosos é fundamental para contribuir na redução da poluição do meio ambiente.

Pensando nisso, neste post, você encontrará informações sobre os efluentes gasosos e conhecerá de que forma é possível torná-los menos prejudiciais ao meio ambiente antes mesmo de serem lançados à atmosfera. Confira!

O que são efluentes gasosos e como eles são formados

Efluentes gasosos são rejeitos produzidos a partir de reações químicas em processos industriais de combustão, onde encontram-se vários constituintes poluentes — entre eles, os mais preocupantes são os óxidos de nitrogênio (NO e NO2 – NOx) e os compostos de enxofre (SOx).

A principal ação desses gases no ser humano é o ataque às vias respiratórias. Já na atmosfera, os óxidos de nitrogênio e compostos do enxofre dão origem aos ácidos nítrico e sulfúrico, sendo os principais componentes da chuva ácida.

Além disso, o NOx participa de complexas reações na atmosfera terrestre que levam a formação do smog fotoquímico — atmosfera negro amarronzada constituída pelo ozônio (O3) e outras substâncias de forte ação oxidante. E mais, na estratosfera, o NOx ataca a camada de ozônio em conjunto a outros gases, contribuindo para o aquecimento global!

Conheça 5 formas de tratamento de efluentes gasosos

A prevenção e o tratamento de efluentes gasosos garantem que a sua ação na atmosfera seja nula ou minimamente prejudicial. Após o seu lançamento na atmosfera, os efeitos nocivos do efluente gasoso não poderão ser revertidos. Para tanto, torna-se necessário um tratamento anterior à liberação desses gases na atmosfera.

Veja, a seguir, cinco tipos de tratamento para efluentes gasosos para usar em sua empresa.

1.Tratamento primário

No tratamento primário de efluentes gasosos industriais, ocorre a separação de partículas sólidas e/ou líquidas da corrente gasosa, podendo ser feito com as seguintes técnicas:

  • gravidade: a velocidade da corrente gasosa que envolve as partículas sólidas e líquidas é diminuída, causando a sedimentação das partículas de tamanho elevado (50 P m);
  • inércia: a técnica usa esse fenômeno físico para se modificar a linha de progressão da corrente gasosa, obtendo-se uma separação completa;
  • força centrípeta: utiliza-se a centrifugação modificando a linha de progressão das partículas, de forma circular;
  • precipitação eletrostática: a separação das partículas sólidas e líquidas ocorrem através da carga elétrica do contaminante e, posteriormente de um campo elétrico que o desvia obrigando-o a sedimentar;
  • deposição ultra-sônica: os ultra-sons facilitam as colisões e aglomerações das partículas, aumentando seus tamanhos e favorecendo a separação. É um processo auxiliar e não um mecanismo propriamente efetivo.

2. Absorção

No processo de absorção, um gás solúvel é transferido de uma corrente gasosa para um líquido, podendo ficar fisicamente dissolvido ou reagir com um constituinte presente no material. O método de absorção no tratamento de efluentes gasosos pode ser usado tanto para a recuperação de componentes gasosos quanto para a purificação de correntes gasosas.

Para que os gases tóxicos sejam removidos por absorção, eles devem ser solúveis no meio líquido de absorção. A água (H2O) é o solvente mais utilizado na grande parte dos casos de controle de poluição, devido a sua disponibilidade, volatilidade e viscosidade.

A maioria dos gases poluentes mais comuns nos processos industriais tem solubilidade limitada em água, acarretando grande quantidade de líquido de lavagem para se obter uma melhor eficiência na remoção — acabando por elevar o aumento de pressão, assim como o aumento de custos.

Portanto, os sistemas de absorção mais adequados são aqueles nos quais o gás dissolvido exerce pressão parcial desprezível sobre a solução. Ou seja, para formar sais não voláteis, os ácidos devem ser dissolvidos em soluções alcalinas.

Quando o gás poluente tem uma concentração elevada e um alto valor agregado, sua recuperação será concentrada. Nos processos de recuperação, resumidamente, formam-se compostos instáveis ao calor (bicarbonatos, sais de amina, entre outros) e na regeneração térmica da solução e recuperação do soluto

3. Adsorção

Processo pelo qual moléculas de uma corrente gasosa são fixadas na parede de um sólido, baseando-se no uso das forças de atração entre a superfície sólida e as moléculas adsorvidas.

A natureza da superfície e das moléculas interferem na força de adsorção nesse processo de tratamento, e a base da subdivisão entre adsorção química e física é a intensidade da força de adsorção.

Na adsorção química, as moléculas adsorvidas reagem com a superfície sólida, geralmente irreversível, tornando a prática economicamente impraticável, uma vez que ou os adsorventes são usados apenas uma vez ou a regeneração exige muita energia.

A adsorção física é mais utilizada pelo fato de não apresentar os problemas comentados anteriormente, sendo a regeneração do adsorvente muito mais fácil.

Os adsorventes utilizados devem apresentar grandes áreas superficiais para se obter uma taxa de remoção mais elevada possível. O carvão ativado é um dos mais usados e, talvez, o mais importante, sobretudo quando se quer retirar odores — ele é uma molécula não polar e a água não afeta seu poder adsortivo.

Outros materiais muito utilizados como adsorventes são a alumina, bauxita, peneiras moleculares e sílica gel — por serem polares, são utilizados, principalmente, em operações de secagem.

A reutilização econômica dos adsorventes é muito importante, para tal, utiliza-se a regeneração térmica usando vapor e aumentando a temperatura do leito a 340 °C, aproximadamente. O vapor passa no leito a baixa velocidade, geralmente direcionado ao lado oposto ao fluxo de remoção do soluto. Dessa forma, as moléculas adsorvidas cedem e são divididas entre o vapor e o adsorvente, e então o leito adsorvente é resfriado e seco.

4. Oxidação Térmica Regenerativa

A tecnologia de tratamento por oxidação térmica regenerativa é eficiente, econômica e versátil quando se trata da redução de compostos orgânicos voláteis presentes em correntes gasosas. As instalações de tratamento são do tipo autotérmicas, ou seja, conciliam uma elevada recuperação térmica com uma elevada eficiência depurativa (superior a 95%).

Esse tratamento de efluentes gasosos consiste em oxidar todos os compostos orgânicos presentes nas correntes gasosas em uma câmara de combustão com temperatura de cerca de 750 – 800 °C. Recuperando, posteriormente, o calor do gás oxidado e fazendo-o percorrer o leito de recuperação de calor de grande área superficial, com elevada eficiência, constituído por corpos cerâmicos especiais.

O processo de Oxidação Térmica Regenerativa reduz substancialmente a necessidade de combustível auxiliar, pois utiliza o reaproveitamento de energia.

5. Redução Catalítica Seletiva

No processo de redução catalítica seletiva, a reação química de redução dos gases NOx é catalisada por catalisadores, normalmente utiliza-se a platina o ródio ou zeólitos. Essa técnica permite uma taxa de redução dos gases NOx maior que 90%.

Para isso, utiliza-se a amônia ou ureia como agente redutor, misturando-o com o ar e é adicionado aos gases de combustão, após isso, passa sobre o leito catalisador.

A temperatura de reação dos catalisadores deve estar entre 250 a 300 °C. Abaixo dos 250 °C, há maior risco de entupimento e envenenamento da substância, além de ser necessário um volume maior.

A redução catalítica seletiva é usada após a remoção das partículas e gases ácidos dos efluentes gasosos, e por isso, é necessário o reaquecimento dos gases de combustão até atingir a temperatura de ração do sistema. Isso torna o processo mais dispendioso, tanto pelo preço do catalisador quanto pela utilização de energia no reaquecimento dos gases — o que o faz ser mais usado em grandes estações de incineração.

O tratamento de efluentes gasosos, como você pôde ver, é indispensável no dia a dia de uma empresa que tem consciência de que sua falta de responsabilidade ambiental causa danos irreparáveis ao meio ambiente, além de também ser prejudicial ao ser humano. Com as tecnologias atuais, as indústrias têm a obrigação de cumprir seus deveres para com a saúde do planeta e das pessoas — lembrando que o retorno financeiro é um benefício real de empreendimentos sustentáveis.

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