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Quais são os tipos de tratamento de efluentes industriais?

agosto 22, 2018
tipo de tratamento de efluentes industriais
Tempo de leitura 6 min

As indústrias que fazem uso de água nos seus processos, seja para limpar maquinários ou para a lavagem de tecidos (indústria têxtil), precisam realizar o tratamento de efluentes industriais. Isso porque, é preciso que eles estejam livres de sólidos e partículas poluentes antes de serem devolvidos ao meio ambiente.

Segundo a ABNT – NBR 9800/1987, efluentes industriais são “despejos líquidos provenientes das áreas de processamento industrial, incluindo os originados nos processos de produção, as águas de lavagem de operação de limpeza e outras fontes, que comprovadamente apresentem poluição por produtos utilizados ou produzidos no estabelecimento industrial”.

Sem o devido tratamento, o solo e a água podem ser contaminados, gerando morte de peixes e plantas aquáticas e terrestres. Além disso, as pessoas que entrarem em contato o ambiente infectado podem sofrer problemas de saúde.

Sendo assim, é de extrema importância que se faça o devido tratamento de efluentes. Portanto, continue a leitura e confira quais são eles.

Tipos de tratamento para efluentes industriais

Por conta de os efluentes terem as mais diversas origens, eles podem ter características físicas, químicas e biológicas. Entre elas podemos destacar:

  • físicas: sólidos, cor, temperatura, entre outras;
  • químicas: pH, metais, teor de matéria orgânica, entre outras;
  • biológicas: vírus, bactérias, protozoários, entre outras.

Sendo assim, há tratamentos para cada uma dessas características. Confira:

Tratamento físico

Neste tipo de tratamento são removidos os sólidos, a matéria orgânica e inorgânica, além de ser feito a desinfecção por processo físico (radiação ultravioleta) dos efluentes. Para isso são utilizados os seguintes processos:

  • gradeamento: são utilizadas grades para impedir a passagem de detritos sólidos, peixes e plantas. Esse método é utilizado, principalmente, em Estações de Tratamento de Água, em que a água é retirada de rios, poços ou lagos;
  • decantação: é uma forma de separar substâncias sólidas e líquidas, que consiste em deixar o líquido em repouso por um tempo, enquanto que a gravidade atua repousando as partículas sólidas no fundo do tanque;
  • flotação: é adicionado bolhas de ar em uma suspensão coloidal. Assim, as partículas em suspensão aderem às bolhas e são arrastadas para a superfície do líquido, onde podem ser removidas;
  • separação de óleo: são utilizados separadores de água-óleo para devolver ao meio ambiente apenas a água. Este método é muito indicado para as águas que foram utilizadas para a lavagem de motores, veículos e máquinas de oficina mecânica, que, geralmente, são contaminadas com graxa e óleo.

Tratamento químico

Este tipo de tratamento faz uso de substâncias químicas para a remoção de poluentes. Assim, por meio das reações químicas, é possível neutralizar o pH da água, remover metais e fazer a desinfecção. São processos químicos:

  • neutralização: por meio de produtos químicos se faz a neutralização do pH da água. Isso é importante, pois em meios muito ácidos não é possível que peixes, algas, entre outros animais e plantas, sobrevivam;
  • clarificação química: são adicionadas substâncias químicas para que seja removida a matéria orgânica coloidal, bem como os coliformes;
  • adsorção: ocorre por meio de ligações químicas, principalmente as covalentes. Dessa forma, os poluentes ficam presos às substâncias sólidas adicionadas na água, como é o caso do carvão ativado.

Além desses métodos também é possível aplicar a eletrocoagulação, oxidação de cianetos, precipitação de metais tóxicos, cloração para a desinfecção, oxidação por ozônio, entre outros processos.

Tratamento biológico

O objetivo do tratamento biológico é a remoção da matéria orgânica dissolvida e em suspensão, transformando-a em sólidos sedimentáveis e gases. Basicamente, esse tipo de tratamento consiste em reproduzir o que acontece na natureza, porém com tempo reduzido. Entre os processos temos:

  • lagoa aerada: o efluente se encontra em um tanque onde passa por um processo de aeração para que seja fornecido oxigênio para os micro-organismos decompositores. Dessa forma, eles transformam a matéria orgânica do efluente em gás carbônico, água e material celular. Essa mistura é enviada para tanques de decantação, onde ocorre a separação do sólido, chamado de iodo, que é recolhido e separado;
  • Iodo ativado: após o processo do tópico anterior, o iodo retorna para os tanques de aeração para que os micro-organismos possam entrar em ação novamente. O sistema de iodo ativado pode remover a matéria orgânica, fósforo e nitrogênio;
  • reatores anaeróbicos: o reator potencializa a decomposição da matéria orgânica. Dessa forma, a biomassa pode ser convertida em biogás.

É importante salientar que, os efluentes costumam passar por mais de um processo de tratamento, pois nem todas as substâncias poluentes podem ser removidas de uma só vez. Ao neutralizar o efluente, por exemplo, estamos apenas deixando o pH neutro, mas isso não faz com que sólidos sejam removidos.

Por isso, é preciso analisar cada tipo de efluente para saber por quais processos ele deverá passar antes de ser devolvido ao meio ambiente.

Problemas que podem ocorrer caso não seja feito o tratamento

Caso não seja realizado o tratamento do efluente ou ele seja feito, mas não por completo, alguns problemas ambientais e jurídicos podem vir a acontecer. No âmbito ambiental, os resíduos descartados de maneira indevida podem ocasionar modificações nas características da água e do solo, o que pode poluir ou contaminar o meio ambiente.

Além disso, as pessoas que vivem perto dessa água e solo que foram contaminados podem sofrer consequências, como a infertilidade do solo para o plantio de alimentos e a contração de doenças causada pela água contaminada.

Já no âmbito jurídico, o descarte irregular do efluente pode ser considerado crime ambiental. As punições previstas por lei vão desde multas até a paralisação temporária ou definitiva da atividade. Os órgãos fiscalizadores incluem o Ibama, CONAMA, a Polícia Ambiental e o Ministério Público.

Como se pode ver, o tratamento de efluentes industriais é de extrema importância para a indústria, pois além dela fazer o descarte correto e não ter complicações com os órgãos fiscalizadores, o meio ambiente e as pessoas que moram perto estarão seguros. Por isso, é necessário identificar quais elementos poluidores os rejeitos têm e, assim, selecionar os processos adequados de tratamento.

Ficou com alguma dúvida sobre que tipo de processo deve ser feito em sua empresa? Então, coloque-a nos comentários.

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